terça-feira, 11 de junho de 2019

Rascunho da análise

Aqui está o rascunho da análise em que estou trabalhando.

ANÁLISE
Fronteiras

Nada impede que uma obra de arte seja composta por elementos ditos de uma arte que não ao do produto artístico apresentado em si. Não é incomum visualizar elementos plásticos -representando símbolos, peças de cenografia, figurinos e etc - como elementos cênicos em obras teatrais, por exemplo. Tomando como fato de que a arte se enriquece, no geral, pelos intercâmbios entre atmosferas distintas; pelo contraste, paradoxo e/ou, também, pela harmonia de elementos, proponho um olhar minucioso sobre pontos fronteiriços entre áreas distintas do trabalho artístico.
A fim de apontar distinções, convergências e, principalmente, áreas de difícil rotulação entre as artes plásticas e artes cênicas - cuja análise terá como marco os conceitos de senso comum das Artes Cênicas e Artes Plásticas, referenciadas pelos autores… - foi escolhida a obra  [INSERIR AUTORES] Dois nós na noite, de Cuti. A proposta da análise será identificar possíveis elementos - correspondentes aos conceitos utilizados das duas artes - escolhidos pelo dramaturgo que podem ser confundidos, ou interpretados, como cênicos ou plásticos.

Artes Plásticas
[conceito - autor]
[ref. anotada] “formações expressivas realizadas utilizando-se de técnicas de produção que manipulam materiais para construir formas e imagens que revelem uma concepção estética e poética em um dado momento histórico”
[-Um pouco sobre performance]

Artes Cênicas
[conceito - AUTOR]
[sobre CUTI]

Transcrição do texto analisado


DOIS NÓS NA NOITE
(monólogo em um ato)

Personagem
JUDITH
Mulher negra. Idade entre 30 e 40 anos. Cabelos crespos.

PRIMEIRO QUADRO

Judith, de pé, olha o corpo de um homem negro estendido sobre o sofá. Senta-se em uma poltrona.

JUDITH
Porque, meu amor? Por quê? Que revolta eu te causo, assim tão violenta? De repente, me pego pensando ser a razão de tudo o que te magoa. Até o fato mesmo de ser…

Levanta-se, como diante de uma ideia ousada que não tem muita segurança para expressar. Caminha sob um foco.

É… Bem… Sabe, eu senti isso em você, mas… Como é que eu ia dizer, sem sentir diminuída, sem que você me chamasse de complexada, de atravessa de… De tudo!? Mas… Você se lembra das fotos? Você guarda fotografia de todas elas! Todas?... Bem, não sei, talvez… E eu devo conviver com isso. Ora, fotos, o que são fotos? Vivem na gaveta com teus papéis, na gaveta de teus documentos… São documentos também, talvez decretos, projetos de lei, leis, medidas-provisórias ou mesmo… É, quem sabe, a sua própria constituição. Você as mantém desde quando namorávamos. Você, tão trabalhador, tão honesto e, ao mesmo tempo, sedutoramente despojado, colorido, à vontade, cabelo black is beautiful , uma conversa louca, um mundo verbal, fantásticos universos saindo da sua boca como pássaros brilhantes espargindo luz por todos os lados, deixando-me multicor nos meus afetos, na minha redenção, tirando-me do cativeiro que a educação tinha me colocado junto à solidão. Você, você, maravilhoso, príncipe dos meus sonhos… Meu hippie, meu iuppie, meu homem fervoroso de tantos fogos inusitados, tesão sempre nova, a primeira cama onde se abriu a minha rosa-choque, minha romá desfolhada em flor… Lembra do apelido?... Ah, sempre eu me sentia fruto, folha, flor nos teus braços. Nossa nudez única, sem abismo, sem sobressalto, denso rio de prazer noturno…

Volta-se, procurando o interlocutor. O sofá e o homem se perderam na escuridão. Orgulhosa.

Viu como eu sou poeta? Viu como eu sei pintar minhas emoções, com liberdade entre os lábios, com este vento interior que move a capacidade de falar, de refletir, de analisar, de ver o mundo? Eu posso me expressar livremente.

A luz sobre Judith vai se extinguindo ao mesmo tempo em que ressurge sobre o sofá, onde se vê um enorme peixe fisgado, na mesma posição anterior do homem. A linha se perde no alto. Do escuro.

Eu posso. Sim, eu posso!

O rosto de Judith reaparece em um espelho suspenso. Profunda decepção.

Sim, eu posso… (Soletra) Des - de - que - vo - cê - es - te- já - dor - min - do… (vai pintando os lábios com um batom vermelho e brilhante) E por que isso?

[finalizar transcrição]...



[IDENTIFICAÇÃO DE PONTOS FRONTEIRIÇOS]
-[DEBATE SOBRE EM QUAL ARTE O ELEMENTO CORRESPONDE]

Referência bibliográfica


CUTI. Dois nós na noite e outras peças do teatro negro-brasileiro. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2009.
[conceito de arte plastica, arte cenica, performance e

TALVEZ fronteira A.C. e A.P.]

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