domingo, 30 de junho de 2019

Autoavaliação Cleiton

1- O que aprendi neste semestre?

R: em poucas palavras  posso dizer que aprendi  analisar textos teatrais e como fazer um trabalho acadêmico.

2- No que tive maiores dificuldades?

R: Minha maior dificuldade foi não saber outro idioma (o inglês) porque tive que analisar o teatro documental, onde não existem muitos materiais traduzidos na língua portuguesa.


3- Como foi o trabalho de final de disciplina?

No começo quando o professor falou que teríamos que fazer um trabalho escrito sobre qualquer vertente teatro achei que seria fácil mas  foi totalmente diferente. O que me serviu de grande lição e tirei muitos ensinamentos com esse trabalho.

4- O que eu poderia ter feito de diferente?

Eu poderia ter me dedicado mais na matéria e dedicado mais tempo ainda em pesquisas para o trabalho final.

5- {Espaço para você escrever o que você quiser a partir de sua experiência nesta disciplina}

Usarei esse espaço para agradecer ao professor Marcus por sua paciência e dedicação aos alunos presentes na sua disciplina, em específico eu e meu trabalho.

Autoavaliação Isabela Ribeiro



1- O que aprendi neste semestre?

Neste semestre o que mais aprendi foi a me soltar mais dentro do ambiente da UnB e entre as pessoas dali. A universidade é um ambiente para nos aperfeiçoarmos, criar laços e modificarmos o que de bruto temos. Ela nos molda, nos ensina e amadurece. E isso não acontece de forma alegre e boa sempre. É a partir dos erros que nos tornamos outros.
Na disciplina de Poéticas Teatrais tive a oportunidade de conhecer e ler um pouco dos textos teatrais, que tenho pouca familiaridade. Eu não sabia de muitos conceitos que tanto o professor Marcus como outras pessoas da turma me ensinaram. O teatro tem muito a ver comigo. E os textos lidos foram impactantes, principalmente os da Sarah Kane e do Heiner Muller.
Aprendi a fazer um outro tipo de leitura, diferente do que eu estava acostumada dentro do meu curso. Entrei em contato com outro mundo e o olhar que tenho agora é outro. Já percebi, ao assistir uma peça, que tenho foco em outros aspectos da cena, do conteúdo exposto. O que consegui apurar se complementou aos novos conhecimentos obtidos, também neste semestre, com Estética e Filosofia da Arte.
O professor Marcus trouxe muitos conceitos e algumas dicas preciosas para um aperfeiçoamento enquanto estudantes-pesquisadores. Foram trazidas muitas ferramentas de estudos como a maneira de procurar um texto em plataformas virtuais, como repositórios institucionais e até no Scribd.

2- No que tive maiores dificuldades?

Dentro da universidade enfrento ainda algumas dificuldades no que se refere às relações sociais. Talvez pelo fato de o meu curso ter um padrão de ser muito voltado ao desenvolvimento pessoal e intelectual, percebo que a gente, enquanto estudantes de filosofia, acabamos tendo dificuldade para estabelecer alguns laços sociáveis com as turmas de filosofia mesmo. Sempre sinto que ficamos muito mais voltados no "eu" do que no "nós". E é bem difícil pra mim não poder trocar histórias e saberes com mais gente. Algo que dentro da turma de Poéticas vivi de forma diferente.
Tenho a dificuldade de participação nas aulas, debatendo, perguntando e apontando alguma observação, algo que também acho que vem da minha experiência dentro da Fil. Tentei ser diferente nesse aspecto na nossa turma, pois achei o espaço seguro e aberto para essa minha barreira.
Outra dificuldade que enfrentei foi a de nesse semestre ter tido uma dupla jornada, pois comecei a trabalhar em um estágio que acabou me prejudicando em vários aspectos da minha vida, por mais que me oferecesse dinheiro. Tive a dificuldade de ter tempo para minhas leituras, para descansar, e para estar presente em algumas aulas, inclusive nas nossas. O que tenho certeza que foi a pior das dificuldades que tive.
Há também a difícil tarefa de me concentrar no que estou escrevendo. Quero dizer, de perseguir o meu objetivo proposto para a escrita dos trabalhos. Eu acabo procurando fontes secundárias e me atenho menos à primária. Acabo deixando de fora alguns aspectos importantes dentro da própria obra a ser analisada por ainda não ter "as manhas".
E assim como muitos de nós, também tive o impedimento de poder ler outras obras por conta da barreira linguística entre mim e o inglês. Queria muito ter trabalhado com o Tadeusz Kantor, e não pude porque a obra que eu usaria e tinha na BCE estava em inglês.

3- Como foi o trabalho de final de disciplina?

O trabalho de final de disciplina foi o melhor trabalho que pude realizar até então, por mais que contenha em si vários erros, como os apontados pelo professor na última aula.
Por incrível que pareça eu ainda não sei muita coisa no que diz respeito à escrita acadêmica. Uma dificuldade que trago do ensino médio, visto que nunca realizei um preparo para tal, como vejo hoje com alguns alunos de ensino médio que são cobrados a realizar um "simulado" de trabalho universitário, eu diria.
Eu me diverti e sofri ao mesmo tempo ao realizar o trabalho. Amei estudar um pouco do trabalho realizado por Bertold Brecht, e realmente desejo continuar a estudar esse autor. Trouxe para minha vida alguns conceitos introduzidos por ele e pelo seu teatro. Além de ter percebido o quanto ele é intenso e suas ideias poderosas se aplicadas em contextos cotidianos mesmo. Eu realmente me apaixonei pelo autor.
O melhor desse trabalho foi que eu o fiz com antecedência, parei nele em diversas ocasiões, reescrevi e tentei fazer o melhor trabalho que já fiz. Não tive que ficar em desespero como já experimentei em outros semestres ao fazer tudo em cima da hora. Consegui ler muitas coisas que me ajudaram a escrever e deixar a ideia fluir.
Outra coisa que foi ótima ter feito foi ter dedicado tempo ao trabalho da escrita. Isso vou levar para onde eu for. Foi a primeira vez que adquiri uma postura de compromisso com um trabalho que eu realizei. E é exatamente isso que eu gosto de fazer: me programar, ir para um canto propício e estudar.

4- O que eu poderia ter feito de diferente?

Gostaria de ter faltado menos às aulas, porque eu realmente amei fazer essa disciplina. Gostei de todos os texto, inclusive os dos materiais apresentados pelos meus colegas de turma.
Também seria bom se eu não tivesse deixado algumas coisas ruins que me acometiam atrapalhar minha atenção às lições dadas pelo professor em sala de aula. Preciso praticar mais o "estar presente" quando algum imprevisto ocorre.
Apesar disso, não mudaria nada. Tivemos muitos aprendizados com o professor Marcus, que inclusive me ensinou coisas que desde o primeiro semestre não me tinham sido passadas.

5- {Espaço para você escrever o que você quiser a partir de sua experiência nesta disciplina}

Foi um dos meus melhores semestres quanto aos professores que ministraram aulas, quanto às disciplinas, e também às turmas, especialmente a de Poéticas Teatrais. Foi pra mim uma ótima experiência ter feito parte dessa turma, que apesar de bem tímida em tamanho, foi uma das melhores que fiz parte.
Agradeço pela cultura e pela história de todos vocês. Agradeço inclusive ao professor Marcus que me incentivou a ser mais forte dentro dessa universidade contanto um pouco da sua trajetória acadêmica. Muitas vezes pensamos que o que desejamos é algo inalcançável, cremos que nosso sofrimento é grande, mas com certeza temos todas as possibilidades de fazer os nossos sonhos acontecerem. Como o Moska diz "sonhos são como deuses, quando não se acredita neles, deixam de existir". Tenho certeza que permanecerá na minha memória o que recebi de aprendizado neste semestre.
Obrigada imensamente pelas discussões propostas em sala, pela visão de mundo compartilhada e pelas risadas que ocorreram neste semestre. Tudo isso me trouxe uma nova experiência e me propiciou muitos momentos reflexivos dentro da Universidade de Brasília,


sexta-feira, 28 de junho de 2019

Autoavaliação Arthur Nóbrega


1- O que aprendi neste semestre?
Para resumi o meu semestre em poucas palavras sera um desafio, porém posso adiantar que as aulas me ensinaram muito, desde uma estética utilizada numa tragedia grega tragédia grega à uma estética de construção de trabalhos acadêmicos. O tempo que passamos com o professor foi fundamental para diminuir a distância que temos entre o ensino médio e a faculdade. Sendo uma ponte para entre esses dois mundos diferentes o professor trouxe para a sala uma atmosfera de ensinamentos acadêmicos e textos fundamentais para nossa formação. Me apeguei muito à estética do Teatro Documentado, me interessando realmente pela dramaturgia que envolve os vários tipos de estéticas, como foi falado na ultima aula sobre as cenas na tragédia grega responderem suas opostas até se encontrarem na cena final.
Em relação aos textos passados em sala me identifiquei muito com 4.48 PSICOSE de Sarah Kane, mesmo sabendo que quando o assunto é a análise de um texto onde não podemos criar afeições com os personagens analisados e sim temos que criar o distanciamento para identificação de padrões, da utilização de técnicas desenvolvidas por outros dramaturgos e estudiosos, para a duração da cena, para o ritmo e varias outras características que podem ser analisadas.
Tendo como base os estudos adquiridos em sala de aula, hoje me sinto um pouco mais apto na leitura de um texto dramático e na sua analise, pois, trago do semestre uma bagagem de textos excelentes e métodos de análise. O fundamento principal aprendido e sala para análise foi a Leitura, quanto mais lemos, mais os padrões identificamos, mais repetições observamos e mais organização aquela obra toma. Mesmo que seja uma sem pé nem cabeça, como MAUSER, de Heiner Muller. O texto de início parece algo sem lógica, porém, as repetições do texto lembram a estética encontrada na música.

2- No que tive maiores dificuldades?
Minha maior dificuldade foi não saber outra língua, mais especificamente o idioma inglês. O tipo de dramaturgia que me apeguei foi o Teatro Documentado, contudo, essa vertente não se encontra em muito estudo na língua portuguesa, poucas traduções e poucas peças encenadas com esse tipo de estética. O professor me orientou para que fizesse outra língua aproveitando o tempo da universidade.
A ajuda que foi me fornecida em relação a indicação de textos traduzidos fez minha curiosidade por esse tipo de enredo só aumentar.

3- Como foi o trabalho de final de disciplina?
Por incrível que pareça foi divertido. O tema escolhido era algo que almejo trabalhar e explorar no decorrer do curso. Falhei em muitas coisas na construção do trabalho, na questão de citações e no vocabulário, contudo, esse trabalho me trouxe bastantes experiências e muita motivação para continuar as leituras e o progresso já iniciado nesse primeiro semestre.

4- O que eu poderia ter feito de diferente?
Faria muita coisa diferente, inclusive tudo. Sinto que não devo ter aproveitado ao máximo o excelente professor que nos foi ofertado no primeiro semestre, aprendi bastante coisa e espero aplicar na minha vida universitária, contudo, sabendo de tudo isso protelei a análise do meu texto e a construção do trabalho final, faltando apenas 2 semanas para a entrega comecei minhas leituras e a escrever os textos retirado das anotações.
Meu trabalho não foi tão bem escrito quanto eu esperava, entretanto, graças aos textos fornecidos pelo professor pude executar a construção do meu trabalho.

5- {Espaço para você escrever o que você quiser a partir de sua experiência nesta disciplina}
Utilizarei desse espaço para agradecer ao orientador Marcus Mota pelo excelente meio de ensino e cuidado com a turma. Gostaria de ter passado mais terças e quintas absorvendo desses conhecimentos, experiências e repertório de leitura, mas tudo que é bom dura pouco, me resta o aprendido e no que ira reverberar na minha vida agora. Desde já agradeço ao tempo dado ao nosso 1° semestre na matéria Poéticas Teatrais.

autoavaliação

Postar até segunda feira, dia 01 de julho, respostas para as seguintes questões?Antes de postar, faça um rascunho, pense, faça esboços. As perguntas são dirigidas a você que participou deste curso neste semestre.

Ao postar, copie o título "Autoavaliação"e coloque seu nome.

1- O que aprendi neste semestre? 

2- No que tive maiores dificuldades?

3- Como foi o trabalho de final de disciplina?

4- O que eu poderia ter feito de diferente?

5- {Espaço para você escrever o que você quiser a partir de sua experiência nesta disciplina}

terça-feira, 25 de junho de 2019

Segue link de meu trabalho

https://docs.google.com/document/d/11OPwuO0XcwBIR0qZdaXj60YvimYNQNmzu64DX0daZpY/edit?usp=sharing

domingo, 23 de junho de 2019

Imagens do trabalho (Arthur Nóbrega)

Imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

Imagem 4
Imagem 5
Imagem 6

Imagem 7



Imagem 8

Imagem 9

Imagem 10

Gráfico 1

Gráfico 2

Trabalho final Arthur Nóbrega


                                               UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA














Distante da casa do coringa: Uma analise do texto terrenos












                    Arthur Travasssos de Arruda Nóbrega






















Sumário




1 Apresentação
2 Distanciamento
2.1 Distanciamento utilizado na cena 06
2.2 Distanciamento no restante da peça
3 Coringamento
4 Conclusão
5 Bibliografia

Apresentação


Meu objetivo nesse trabalho é analisar o texto TERRENOS1 da Cia. Teatro Documentário2Tendo como base o conhecimento adquirido em sala tentarei trazer um texto didático e não cansativo. Tendo como ferramentas gráficos, tabelas e imagens esse trabalho vai trazer uma breve analise do distanciamento desenvolvido por Brecht e o coringamento elaborado por Boal.
Com foco na peça e nas formas utilizadas de fazer cada coisa esse texto promete trazer muito conteúdo para ser analisado.

Distanciamento
Nesse texto podemos observar a utilização do método do estranhamento desenvolvido por Eugen Bertholt Friedrich Brecht3esse procedimento cênico é conhecido por não permitir que o publico crie laços afetivos com os personagens em cena e que mantenham durante o espetáculo um olhar realista, que se afaste da ficção criada no palco. Como Brecht disse em Estudos sobre teatro4
O objetivo dessas tentativas consistia em se efetuar a representação de tal modo que fosse impossível ao espectador meter-se na pele das personagens da peça. A aceitação ou a recusa das palavras ou das ações das personagens devia efetuar-se no domínio dó consciente do espectador, e não, como até esse momento, no domínio do seu subconsciente.”
Sendo assim o método é bastante utilizado na peça em questão por pedir a utilização dessa técnica. A peça em si traz um tema de denúncia e a plateia por sua vez tem que ter um olha mais analítico da situação sem se apegar a nenhum lado. Deste modo o docudrama5 em si traz documentos reais e falas verídicas que os próprios atores tiveram com a entrevistada, utilizam ainda de trechos de gravações com a mesma contando fatos vivenciados.
Sabendo que brecht tem como objetivo criar essa barreira afetiva com os espectadores o texto traz muitos outros elementos de distanciamento e formas de brincar com esses movimentos, na cena seis por exemplo que mostra uma parte com pouca interpretação e mais leitura de documentos. Entretanto no restante da peça podemos observar outros tipos de estranhamento.
Contudo o distanciamento brechtiniano é em alguns momentos dissolvido em uma fala que pede personagem e distancia, ficando difícil assim a identificação de quem é o porta-voz daquele bifão, como na cena dois, pagina cinco:
Mãe, manhê! Põe a gente no chão! Você está me segurando só como Cidinha. Mãe, com uma mão só, na foto. Ai como Anite eu estou de pé do seu lado, como Dirce estou sentada na frente da Anita, a Cidinha também, estou na frente de pé com o papai, e como Afonso estou na frente do papai e do lado da nena. Do lado da Nena, mãe! Só que está todo mundo bem sério aqui na foto. Isso! Está perfeito. Clique!”
Esse procedimento é tido como muitos uma forma de fazer do teatro um canto de conhecimento político e social. Trazendo muitas vezes fatos que acontecem com a sociedade atual usando de personagens, de falas com impacto sobre a narrativa ou de acontecimentos já vividos por alguém que a história cita. Abaixo tabela com falas e meios para atingir o público-alvo:
FALAS
MEIOS
A Francisca me contou que na adolescência, A Anita e o Afonso foram trabalhar com o João, na fábrica”- Crianças
Personagem
Existem pessoas que calam com o grito; e outras, com afago... ”- Patrão
Falas de impacto sobre a narrativa
Maíra, a prostituta que conheci na estação da Luz, não sai de casa sem passar batom. Ela me contou que veio para São Paulo, por que soube de uma proposta de trabalho através do irmão. Maíra” –Francisca
História já vivida
2.1 Distanciamento na cena 06


Entrando na cena seis temos o distanciamento total dos personagens, para um melhor entendimento de toda a historia, com a utilização de documentos “Certidão de óbito do João. Declarante: Vicente Lopes”- Crianças esse ato se da de um modo mais elaborado com comprovantes. A utilização desses documentos em cena leva veracidade e embasamento para o palco, fazendo da denúncia o foco principal da sexta parte.
Crianças: Causa da morte: infarto do miocárdio, doença cardiopatia hipertensiva.
João: Francisca sempre disse que João era muito saudável
Crianças: Residente onde faleceu
Francisca: O joão não morreu em casa
Crianças: Endereço do falecimento: Rua Costa Aguiar, numero 875
Francisca: Esse não é o endereço onde francisca disse que viveu com João. Esse é o endereço da fábrica
Crianças: Troca para panfleto da Rádios Pontet. Esse é o anuncio da fábrica, de 20 anos depois. Endereço: Rua Costa Aguiar”
Ainda tendo como foco essa cena podemos analisar o uso dos atores em paralelo com seus personagens, usando de características físicas reais para a assemelhação com seu personagem, tendo como maior objetivo transformar aqueles seres “fictícios em pessoas reais.
Patrão: É impressionante a semelhança física dele com João.
Francisca: Demais.
Crianças: É mesmo.
João: Imagina.
Francisca: As orelhas grandes.
João: Minhas entradas são maiores do que as dele.
Crianças: O cabelo é escuro, igualzinho.
Francisca: O rosto, o formato do rosto…
João: Eu tenho 28. O João tinha quarenta e poucos. Os braços mais curtos que o meu.”


(Imagem 1)Momento onde usam de uma foto antiga de João para comparar com o Ator Márcio Rossi, cujo interpreta o falecido.
Características
Personagens e Atores
Esse cabelinho batidinho, curtinho.”
Francisca/Carolina Angrisani
Tem uma alma infantil, uma agilidade”
Crianças/Natália Lemos
Se imaginar o patrão, o patrão é um cara alto”
Patrão/Gustavo Curado


Entretanto essas características não são as únicas, o sexto ato vem com uma narrativa distanciada, porem trazendo à utilização da atuação voltada para uma desconstrução do distanciamento, fazendo assim das falas distanciadas as falas dos personagens que representam, ou seja, os atores usam de um jogo de falas verídicas e não para um mostrar um contraste entre ficção e realidade.
““Patão: É, Francisca, eu não sei nem como dizer, foi tudo muito rápido... O João caiu na Fábrica, foi uma morte santa. Você não se preocupe com nada, o patrão está tomando conta de tudo.
João: Talvez vocês imaginem que tenha sido assim, mas não. O Vicente deu a notícia de maneira seca, direta.
Patrão: Volta.
Francisca: O que aconteceu ao meu marido?
Patrão: O joão morreu.
Francisca: é mentira, é 1° de abril ”
Fechando a cena temos falas que trazem um contexto histórico para o ato, dando uma ideia de tempo e de vivência essas falas tem como objetivo o enriquecimento da passagem de tempo do docudrama e finalização da historia contada.
Francisca: Em seu 1,53m, a Francisca tem o seu ventre de mãe operária, operária-mãe. Tem um peito e um coração dentro dele. Tem seus braços mais curtos que os meus. Francisca percorreu mais ou menos 300 quilômetros do interior à capital. Depois disso, tornou-se viúva, operária de uma fabrica de linhas de costuras, reencontrou o algodão. Casou as filhas e o filho, teve mais de 25 netos, 10 bisnetos e 3 tataranetos. Francisca nunca saiu desse estado.
Patrão cobre Francisca com manto-certidão-de-óbito
Patrão: Francisca não sabia o que estava por vir. Francisca viveu o Brasil Novo, o plano nacional contra o Imperialismo, e a Ditadura militar. Assistiu pela televisão a queda do muro de Berlim, e ouviu a direita comemorar ao som de Pink Floyd. Depois, perdeu a poupança no plano Collor e, em seguida, viveu a felicidade dos créditos. Está inserida na chamada singularidade da pós-modernidade. Observou de longe as manifestações de julho de 2013 e viu a Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Nunca sozinha e em silêncio. Mesmo sem saber exatamente sobre seu paradeiro, a figura do Patrão e o som da prensa sempre lhe fizeram companhia.”


(Imagem 2)Francisca coberta com o manto-certidão-de-óbito

2.2 distanciamento no restante da peça


Nas outras cenas do texto podemos observar várias funções do distanciamento, como musicas, partes narradas, informações dadas para o entendimento da história, contexto histórico e comparação. Abaixo podemos observar uma tabela com alguns exemplos de falas e suas formas perante o texto.
FALAS
FUNÇÕES
A família chegou em São Paulo, na Estação da Luz, e o tio Vicente já estava esperando com um táxi”- Patrão
Narração
A Francisca não me disse se gostaria de ter trabalhado menos para ficar mais tempo com as crianças”- Francisca
Informar
Deixe-me ir/Preciso andar/Vou por aí a procurar/Rir pra não chorar”- João
Música
Minhas mão são limpas, macias e não possuem calos. Ao contrário das mãos de Gilberto..”- Patrão
Comparação
João nunca ouviu “Preciso me encontrar” na voz de Cartola. João não viveu o Brasil Novo… Nem assistiu à Copa do mundo no Brasil, em 2014. João não viu e não verá essa encenação” - Francisca
Contexto Histórico
O distanciamento narrativo se da em vários momentos por muitas falas explicativas do que está se passando em cena. Tendo como função explicativa esse tipo de distanciamento é utilizado pelos atores um total de dezessete vezes ao decorrer da peça. Tendo sua maior aparição do fim da parte três inicio da quarta essa ferramenta narra a chegada da família em São Paulo.
João: Eu costumo ver o dia amanhecendo ou por que acordei cedo ou por que eu tive insônia. Às vezes vezes eu ouço o vento rasgando a janela, ou a chave trancando a porta. Eu saio de casa, eu passo pela a rua e ouço conversas pela metade, ouço pessoas com passos acelerados. Difícil mesmo é escutar meu próprio passo. Será que o João em sua vida teve a chance de ouvir seus passos? O som da terra ao pisar no chão?Possivelmente ele ouviu o convite de Vicente, pensou e partiu. Talvez não tão rápido, como foi apresentado, podem ter tido algumas diferenças. Com certeza ele percebeu as crianças arrumando as coisas junto com Francisca, ou as brincadeiras, afinal de contas, eram crianças. A casa talvez fosse assim, quase silenciosa. E no silêncio, ele pode ter escutado.”
A fala para informação também se fez bem presente no docudrama, com o foco em informações extras para o enriquecimento da peça esse mecanismo foi utilizado 31 vezes ao decorrer da história. Com a utilização de documentos o ato 6 tem em sua base o distanciamento informativo, como conclusão da trama e resolução de pontas soltas.
Crianças: A Cidinha, que hoje tem 68 anos, contou para a gente que quando as crianças receberam a notícia do falecimento do pai, foi um grande tumulto. Por achar essa imagem muito dramática, eu optei por não representar.”
A musicalidade na peça se da por distanciamentos pontuais e representativos, para ilustração da morte de João, com a chegada do tio das Crianças e com a insinuação de que Francisca perdeu uma criança. Essa musicalidade traz para o docudrama uma outra atmosfera com o poder de insinuação.


Crianças: Pum pá, pum-pá, Pum pá, pum-pá
Francisca: Pode entrar
Patrão: O futuro aqui chegou
João: Com ar de doutor chegou meu cunhado
ele trouxe um convite inusitado
Patrão: Bora pra São Paulo terra da garoa
Francisca: É isso ai, criançada, vamos ter uma vida boa
Crianças: É João, trabalhar pra caralho, e ganhar
Todos: Uma merda de salário”

(Imagem 3)Parte cantada, todos em cena.


Abaixo temos um gráfico para facilitar à visualização da aparição do distanciamento nas cenas e como cada um foi utilizado, podemos observar que existe predominância da informação e da narração:

(Gráfico 1)
Coringamento


A técnica do coringamento6 foi desenvolvida por Augusto Boal7 e é responsável por dá a um ator mais de um personagem para a interpretação, utilizando de figurino ou apenas do aviso para a troca de papel o ator pode transitar entre esses personagens. E como pude observar no docudrama sabemos que o personagem Crianças e Patrão praticam desse coringamento.
Crianças: Plantação. Grande propriedade agrícola. Criança, pequeno ser humano. Pequeno latifúndio. Algodão. A Cidinha no cabelo do pai, o Afonso pega no passarinho, a Dirce na árvore, a Nena palhaça, a Anita no rio. Eu sou a Anita, o Afonso, a Nena, a Dirce e a Cidinha. Nós somos cinco, e não queríamos ter esquecido a boneca.”
Diferente da metodologia do estranhamento de Brecht o coringar tem um trabalho direto com os personagens e com a historia que contam. Tanto que na cena três, página 8, tem um dialogo apenas com a personagem Dirce e na mesma cena o personagem Patrão esta de Vicente, irmão de Francisca.
(Imagens 4, 5, 6, 7 e 8)

Como podemos observar o personagem Crianças teve 5 jeitos diferentes de abraçar, isso mostra mais de uma personalidades diferentes e corpos diferentes. Isso é o coringamento, a capacidade de trabalhar com vários personagens com o mesmo ator. A parte ruim desse procedimento é a falta do movimento no palco, uma cena só é movimentada com a entrada e saída de atores no palco, deixando eles no palco porém com personalidades diferentes é retirar esse movimento e substituir por ações que por consequência trazem um ritmo acelerado, por causa da troca de figurino que tem que ser rápido estando em cena.
Outro personagem que também usa dessa ferramenta é o Patrão, interpretando o tio que convence a família a ir para São Paulo, esse personagem não tem trocas simultâneas, porém sua característica foi o aviso da troca de personagem, diferente das Crianças que tem sua troca em cena o ator espera sair de foco para tocar de figurino.
Patrão: Agora eu serei o tio Vicente, Irmão de Francisca, cunhado de João, tio das cinco crianças e um excelente funcionário.”
Patrão
Tio Vicente

(Imagem 9)                                                                (Imagem 10)
Só de observar o figurino já podemos identificar diferenças, porém não é só as roupas que diferem pessoas e sim suas personalidades, o personagem Patrão traz uma energia mais séria e pesada para o palco, levando em conta todo o enredo é de se esperar esse tipo de personalidade caricata de um patão. Enquanto Vicente é apenas mais alguém tentando crescer no estado Paulista. Abaixo um gráfico com o numero de trocas efetuadas no docudrama:
(Gráfico 2)
Com a ilustração do gráfico podemos identificar que o personagem Crianças se da em constante troca de personalidades, diferente do Patrão que chega momentos que ele não muda. Contudo mesmo sem mudanças de um personagem podemos ver que o ritmo se da mais rápido nas partes um e dois, fazendo do inicio da peça algo ágil.
Conclusão


Pude concluir com essa analise que o texto TERRENOS tem duas características bem marcantes, uma sendo o distanciamento de Brecht, responsável por diferenciar ficção da realidade o estranhamento cria uma barreira contra e empatia para que o publico não se apegue aquilo que se passa no palco.
Contudo o coringamento desenvolvido por Boal traz para o palco algo ficcional e ilustrativo, para prender a atenção dos espectadores. Essa técnica foi utilizada mais como economia de tempo, a entrada e saída de atores gera movimento porém o ritmo diminuí em cena. Tendo um personagem fazendo vários traz aquela ideia de que não esta perdendo tempo com trocas desnecessárias.


Bibliografia



BRECHT, BertoltEstudos sobre o teatro. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro, 1964.


1 Texto escrito pela Cia. Teatro Documentário, conta a historia de uma família que foi morar em São Paulo, texto completo se encontra em anexo.
2 Cia. Teatro Documentário é uma companhia de teatro de São Paulo, com foco em peças de caráter documental, para mais informações desse grupo segue link: http://ciateatrodocumentario.com.br/
3 Dramaturgo alemão do seculo XX, desenvolveu a técnica do estranhamento e começou a disseminar uma vertente do teatro hoje e dia conhecida como teatro documentário.
4 Estudos sobre teatro é um livro escrito por Brecht e traduzido por Fiama Pais Brandão, nesse livro Brecht faz varis analises sobres métodos de fazer teatro, contendo trechos sobre o estranhamento.
5 Docudrama é o nome dado as dramaturgias de caráter documentário.
6 Papel de vários personagens com apenas um ator fazendo eles.
7 Dramaturgo brasileiro, deu origem ao teatro do oprimido e seu auge se deu no seculo XX

domingo, 16 de junho de 2019

Apresentação das pesquisas/trabalhos

Nos dias 25 e 27 de junho teremos a entrega dos trabalhos finais
Cada trabalho terá no mínimo sete páginas, além da capa e sumário e elementos pós-textuais (apêndices e anexos). Não há limite de páginas para mais.
Cada artista estudante pesquisador vai entregar seu trabalho impresso e terá até 10 minutos para apresentar o que realizou na sua pesquisa para a turma. Siga o seu sumário. É uma apresentação oral e não uma leitura de seu texto. Se quiser usar imagens e sons, traga em pendrive ou coloque no blog da turma ou no blog de seu projeto os materiais ou links. Treine a sua apresentação antes, para ficar no limite de seu tempo
A ORDEM DAS APRESENTAÇÕES VAI SEGUIR PREFERENCIALMENTE A LISTA DE CHAMADA.
Além disso, deverá postar seu trabalho no blog da turma.

sábado, 15 de junho de 2019

Seminário Internacional Eudoro de Sousa



Seminário Internacional Eudoro de Sousa: Estudos de Cultura entre a U. Brasília e a U. Porto *
Universidade de Brasília
17 e 18 de junho de 2019
Auditório do Instituto de Letras
Eudoro de Sousa (Lisboa, 1911 – Brasília 1987), ilustre classicista Luso-Brasileiro, foi Professor Fundador da Universidade de Brasília, onde desenvolveu intensa atividade no âmbito dos Estudos Clássicos. Tendo fundado e dirigido no Centro de Estudos Clássicos nesta Universidade, aí construiu uma biblioteca que, à altura, se afirmou como um dos maiores e melhores acervos da cultura grega e latina. Profundamente influenciado pela Altertumswissenschaft de inspiração wolfiana, desde a sua estada na Alemanha, onde foi Leitor de Português na Universidade de Heidelberg, a sua obra abarcou temas tão diversos como a Literatura, a História, a Arqueologia, a Filologia, a Filosofia e a Mitologia.
Herdeiro da “Escola do Porto” e do magistério de Leonardo de Coimbra, Eudoro teve estreitos laços com José Marinho, Álvaro Ribeiro e, especialmente, Agostinho da Silva, com quem veio a desenvolver intensa colaboração. A partir daí, veio ao Brasil, primeiro para São Paulo, dialogando com o denominado “Grupo de São Paulo”, onde pontificavam nomes como Vicente e Dora Ferreira da Silva e Miguel Reale, e depois em Florianópolis, e, finalmente, fixou residência em Brasília, fundando o pioneiro Centro de Estudos Clássicos.
A amplitude temática dos seus interesses académicos e da sua obra, a sua formação no seio da filosofia portuguesa e a maturidade do pensar que atingiu no Brasil, fazem com que justifique a organização deste Seminário Internacional que, mais do que celebrar o Homem e a Obra, se abre à abordagem de convergências e afinidades com outras áreas do saber e com outros autores brasileiros e portugueses, em particular aqueles que vieram também a desenvolver atividade na Universidade no Brasil como António Telmo, Adolfo Casais Monteiro, Fidelino Figueiredo, Dalila Pereira da Costa, entre outros.
Programa
·      Dia 17/06/2019
Manhã 
10h00: Conferência de Abertura:
«Eudoro de Sousa: A mítica do horizonte e a filosofia» | Ordep Serra
11h00: «Eudoro de Sousa no contexto da Filosofia da Mitologia» | Diogo Ferrer 
11h30: «A metafísica da cisão e da restauração em Eudoro de Sousa» | Samuel Dimas
Tarde 
15:00: «Eudoro de Sousa perante a Filosofia Portuguesa» | Luís Lóia
16:00: «Inatualidade de Eudoro de Sousa: o antigo e o presente» | José Otávio Nogueira Guimarães

·      Dia 18/06/2019 
Manhã 
10:00: «Eudoro, Agostinho e A Escola de São Paulo: significado e alcance da contribuição» | Constança Marcondes Cesar
11:00: «A Diáspora da Escola do Porto no Brasil» | Celeste Natário 
11h30: «Agostinho da Silva, um singular percurso Luso-Brasileiro» | Renato Epifânio 
Tarde
15:00: «Notas a Uma leitura de Antígona, de Eudoro de Sousa» | Agatha Bacelar
16:00: Conferência de Encerramento: «O Heráclito de Eudoro de Sousa» | Marcus Mota
17:00 Lançamento de livros| Luís Lóia

APOIOS
FCT, Universidade do Porto, Universidade de Brasília, NEC-UnB, Archai-UnB,PPG-Metafísica-UnB, PPG-Cênicas-UnB, LADI-UnB.